Duração
do aleitamento materno e manifestações
atópicas em lactentes, conforme estado
alérgico materno, nos primeiros 2 anos
de vida (estudo KOALA)
SBreast-feeding
duration and infant atopic manifestations,
by maternal allergic status, in the first
2 years of life (KOALA Study) - Snijders BEP
et al. J Pediatr 2007; 151: 347-51 - Holanda
Os
autores examinaram neste estudo se a condição
alérgica ou presença de asma
na mãe pode modificar a relação
entre duração do aleitamento
materno e as manifestações atópicas
em lactentes até os 2 anos de vida.
Os 2705 lactentes participantes, nascidos
em 2000 a 2002 na Holanda, foram avaliados
no final da gestação, aos 3,
7, 12 e 24 meses de idade, com repetição
dos questionários e avaliação
da imunoglobulina E (IgE) aos 24 meses. Os
critérios de atopia foram: 1) já
teve eczema (qualquer lesão pruriginosa)
no passado; 2) é portador de dermatite
atópica; 3) já teve chiado recorrente
(ao menos 4 episódios). Foram separados
em grupos conforme tempo de aleitamento (nunca;
0 a 3 meses; 4 a 6 meses; 7 a 9 meses; mais
de 9 meses).
O aleitamento materno foi ausente em 15% dos
lactentes e durou mais de 6 meses em apenas
33% das crianças. Pouco mais de 30%
dos lactentes tiveram eczema, 13,5% apresentavam
dermatite atópica e entre 15 e 20%
sofreram chiado recorrente. Tempo de aleitamento
materno teve influência quase nula na
ocorrência de eczema nos filhos de mães
não alérgicas, mães alérgicas
sem asma e mães com asma. O tempo de
aleitamento materno não teve nenhuma
influência na prevalência de diagnóstico
de dermatite atópica, nas 3 condições
maternas quanto a alergia. O chiado recorrente
ocorreu significativamente menos (menos da
metade) nos lactentes amamentados por mais
tempo do que nos não amamentados (P<0,05),
independente do estado de alergia da mãe
(sem alergia; alergia sem asma; asma). Não
houve relação entre IgE materno,
do lactente e tempo de aleitamento.
COMENTÁRIOS:
os resultados desta pesquisa não são
originais, pois outras pesquisas divulgaram
resultados semelhantes. Apesar de metodologicamente
discutível, é um estudo importante,
e os pediatras precisam ter esses conhecimentos.
Aleitamento materno reduz doenças infecciosas
e em países ou comunidades pobres reduz
a mortalidade por doenças infecciosas.
Quanto a alergias, o aleitamento materno previne
na fase de lactente alergias gastrointestinais,
alergia mediada por IgE (urticária,
anafilaxia) e chiado recorrente. Mas não
previne eczema ou dermatite atópica.
E também não previne as alergias
tardias, no pré-escolar ou escolar,
pois quem é para ser alérgico,
será alérgico independente de
ter sido amamentado ou não, por pouco
ou muito tempo.
Outra pesquisa, no mesmo exemplar da J Pediatr,
foi realizada na Alemanha e avaliou a influência
da idade de introdução dos vários
alimentos sólidos no aparecimento de
eczema (Filipak B et al. Solid food introduction
in relation to eczema: results from a four-year
prospective birth cohort study). Foram acompanhadas
até os 4 anos 4753 crianças
alemãs, e avaliada a época de
introdução (0-4 meses; 5-6 meses;
6-12 meses; >12 meses) de frutas, hortaliças,
cereais, carnes, lácteos, ovo, peixe
e outros (soja, amendoim, chocolate). Foram
muitas análises e a conclusão
foi a de que não há influência
da idade de início destes alimentos
no aparecimento de eczema relatado e de dermatite
atópica diagnosticada.
Surpreende negativamente a observação
de que tanto na Alemanha como na Holanda apenas
pouco mais de 30% dos bebês recebem
leite materno por mais de 6 meses, e que na
Alemanha 34% dos bebês iniciam alimentos
sólidos antes dos 4 meses e 83% antes
dos 6 meses. O Brasil era assim até
15 anos atrás, mas as campanhas realizadas
aqui tiveram muito mais sucesso no sentido
de estabelecer a alimentação
do lactente de acordo com o ideal.
Resumo e comentários: Aristides Schier
da Cruz (SPP).