VACINAS CONTRA INFLUENZA PANDÊMICA

(texto elaborado por Heloisa Ihle Giamberardino, pediatra e membro do Departamento de Infectologia da
Sociedade Paranaense de Pediatria – 12/02/2010).

       Prezados colegas,
Com a proximidade da chegada do outono e da nova vacina contra influenza, achamos pertinente repassar algumas informações.
A forma abrupta com que a pandemia se instala associada à virulência da cepa, constitui-se em grande desafio para o seu controle, considerando também que tanto os recursos medicamentosos quanto o de vacinas são limitados.
Até o momento, o Ministério da Saúde do Brasil autorizou as seguintes formulações de vacina contra influenza:

• No sistema público:
- Uma formulação é a vacina monovalente contra gripe pandêmica contendo a cepa viral pandêmica inativada e fragmentada: Influenza A/Califórnia /7/2009 (H1N1).
- Outra formulação é a vacina bivalente contra gripe sazonal, contendo as cepas Influenza A/Perth/16/2009 (H3N2) e Influenza B/Brisbane/60/2008.

• No sistema privado:
- Vacina trivalente contendo as três cepas do vírus Influenza fragmentadas e inativadas, conferindo, assim, proteção contra a gripe sazonal e pandêmica (H1N1):
    - A/Califórnia/7/2009 (H1N1)
    - A/Perth/16/2009 (H3N2)
    - B/Brisbane/60/2008

O esquema vacinal continua o mesmo, de acordo com a faixa etária:
    - Crianças de 6-35 meses: 2 doses de 0,25ml (formulação pediátrica ou metade da dose adulto), com intervalo de 30 dias entre as duas doses.
   
- Crianças de 3-8 anos de idade: 2 doses de 0,5ml (formulação adulto), com intervalo de 30 dias entre as duas doses. Se estas crianças tiverem sido vacinadas no ano anterior com duas doses para influenza sazonal, recomenda-se a administração de uma única dose da vacina contra influenza sazonal.
    -
Adultos e crianças a partir dos 9 anos de idade: 1 dose de 0,5ml .
Com relação aos eventos adversos a esta vacina, os mesmos foram comparáveis aos encontrados em anos anteriores com a formulação sazonal. Na Europa e nos EUA existem vários sistemas de vigilância (ativo e passivo), não sendo identificados até o momento problemas relevantes de reatogenicidade.
Desde 2000, o Ministério da Saúde do Brasil implantou o Sistema de Vigilância da Influenza, que monitora a circulação viral e avalia o impacto da vacinação. Em abril de 2009, quando a OMS elevou o nível de alerta da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) da fase 4 para 5 (sendo que a fase 5 significa a ocorrência de disseminação do vírus entre humanos), foi solicitado às empresas produtoras de medicamentos de anti-virais que ampliassem sua produção e às empresas produtoras de vacinas que contribuíssem para a produção de uma vacina pandêmica. Mas em função da grande demanda prevista para este tipo de vacina, há um temor de que os fornecedores não consigam atender a toda demanda.
Portanto, julgamos importante esclarecer a comunidade médica e especialmente a pediátrica, para que a vacinação contra influenza seja particularmente enfatizada neste ano de 2010.


Referências:
www.cdc.gov.br
www.ema.europa.eu
Nota Técnica nº 05/2010 DEVEP/SVS/MS
Resolução Nº 49 de 6 de Outubro de 2009