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PANDEMIA
DE INFLUENZA A (H1N1)
Orientações aos pediatras (Informe
nº 4– 25/8/09)
Caros Colegas Pediatras,
O Comitê de Infectologia da Sociedade Paranaense
de Pediatria tem como uma de suas principais funções,
atualizar os pediatras para que juntos possamos encontrar
a melhor maneira de atender e orientar os nossos pacientes
durante a presente pandemia. Assim, estamos encaminhando
novas sugestões para o atendimento e acompanhamento
dos pacientes com diagnóstico suspeito ou confirmado
de influenza
A(H1N1)v.
CASO SUSPEITO:
· Paciente que apresente quadro súbito
de febre igual ou maior
a 38º e tosse ou dor
de garganta, associados ou não a calafrios,
mialgia, artralgia, diarréia, vômitos,
náuseas, prostração, inapetência,
cefaléia e coriza (na ausência de outros
diagnósticos. Ex.: amigdalite).
O médico responsável pelo atendimento
deve avaliar a indicação de tratamento
com antiviral, sinais de gravidade
(ver adiante), assim como a necessidade de hospitalização.
SINAIS DE GRAVIDADE EM PEDIATRIA:
• Criança que apresente: estado geral comprometido,
hipotermia, cianose, dispnéia, toxemia;
• Oximetria de pulso < 92%;
• Taquipnéia: 2 meses a menor de 1 ano
(>50 irpm); 1 a 5 anos (>40 irpm); > 5 anos
(>25irpm)
• Batimento de asa de nariz, tiragem intercostal;
• Dificuldade para ingestão de líquidos
ou amamentar;
• Desidratação, vômitos, inapetência;
• Presença de co-morbidades ou imunodepressão;
• No recém-nascido pode haver hipotermia,
hipoatividade e clínica compatível com
quadro de sepse;
• Dificuldades familiares em medicar e observar
cuidadosamente o estado clínico.
CASO GRAVE EM PEDIATRIA:
• Criança que apresente: estado geral comprometido,
cianose ou dispnéia, toxemia, oximetria de pulso
< 92%, Batimento de asa de nariz;
• Taquipnéia: 2 meses a menor de 1 ano
(>50 irpm); 1 a 5 anos (>40 irpm)
• Tiragem intercostal
• Desidratação, vômitos, inapetência,
dificuldades familiares em medicar ou observar
cuidadosamente e presença de co-morbidades ou
imunodepressão.
• Todo caso grave deverá ser hospitalizado.
SÃO CONSIDERADOS GRUPOS DE RISCO PARA COMPLICAÇÕES
DA GRIPE:
• Crianças < de 2 anos de idade;
• Adultos > de 65 anos de idade;
• Gestantes
• Pacientes com doenças de base, uso crônico
de aspirina ou imunossupressão.
PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE DA GRIPE (APLICAR
PARA CASOS SUSPEITOS SINTOMÁTICOS):
• Adultos: um dia antes até o
7º dia de início dos sintomas.
• Crianças < 12 anos: um dia antes até
o 14º dia de início dos sintomas.
ORIENTAÇÃO PARA PRESCRIÇÃO
DO OSELTAMIVIR (TAMIFLU)
O antiviral está indicado para toda criança
com quadro clínico sugestivo de síndrome
gripal, independente da gravidade, da faixa etária
e da presença ou não de fatores de risco.
Nos casos suspeitos, o tratamento com o antiviral oseltamivir
deve ser iniciado o mais breve possível e dentro
das primeiras 48 horas após o início dos
sintomas, sendo mantido por um período de 5 dias.
O médico responsável pelo atendimento
deve avaliar sinais de gravidade para decidir se o paciente
deve ou não realizar o tratamento em ambiente
hospitalar. Se o médico decidir pelo tratamento
ambulatorial, é de responsabilidade do médico
acompanhar e monitar o paciente. Para que o paciente
possa receber a medicação, o pediatra
deve obrigatoriamente preencher a ficha de notificação
para influenza humana por novo subtipo (pandêmico),
além da ficha de solicitação do
Oseltamivir e a receita médica. Deve também
verificar o local de dispensação do medicamento
para os pacientes em seu município ou regional
de saúde. No caso específico do município
de Curitiba, o medicamento é liberado pelos CMUMs
(Centros Municipais de Urgências Médicas).
Devido à falta no Brasil da suspensão
pediátrica de Tamiflu® (12 mg/ml), o Ministério
da Saúde está fornecendo o sal “Fosfato
de Oseltamivir”, que, conforme orientação
do próprio laboratório fornecedor (Roche),
está sendo formulado como solução
a 15 mg/ml em farmácias de manipulação
credenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde
do Paraná. Assim, destacamos que medicação
disponibilizada é a Solução de
Oseltamivir, em frascos de 50 ml, com concentração
de 15 mg/ml, com validade de 3 semanas em temperatura
ambiente e 6 semanas em geladeira. Esta solução,
depois de aberta, deve ser consumida no prazo de cinco
dias.
Dosagem
recomendadas do Oseltamivir para menores de 1
ano de idade |
| Peso |
Dose |
Frequência |
Menos
de 15 kg |
30
mg – 2,0 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
De
15 Kg a 23 Kg |
45
mg – 3,0 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
De
23Kg a 40 Kg |
60
mg – 4,0 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
Acima
de 40 Kg |
75
mg – 5,0 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
|
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Dosagem
recomendadas do Oseltamivir para menores de 1
ano de idade |
Idade |
Dose |
Frequência |
<
3 meses |
12
mg – 0,8 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
3-5
meses |
20
mg – 1,3 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
6-11
meses |
25
mg – 1,6 ml |
Duas
vezes ao dia por 5 dias |
Considerando
que a utilização do Oseltamivir em pacientes
com idade inferior a 1 ano tem como base uma liberação
emergencial pelo FDA, por orientação da
Anvisa, esses pacientes deverão ser acompanhados
quanto ao aparecimento de possíveis eventos adversos
à medicação pelo profissional prescritor
(atendimento ambulatorial) ou pelo serviço de
saúde (durante o período de internação).
Recomenda-se uma avaliação clínica
nas primeiras 48 horas e 30 dias após o uso da
primeira dose do Oseltamivir. As suspeitas de reações
adversas ocorridas no pós-uso do oseltamivir
devem ser notificadas pelos profissionais da saúde
por meio do sistema Notivisa (http://www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/index.htm).
Recomenda-se especial atenção em lactentes
menores de 3 meses de idade, onde a utilização
do antiviral deverá ser muito criteriosa. Em
situações em que o paciente apresente
novo quadro de síndrome gripal indica-se novamente
o tratamento com oseltamivir, seguindo-se as mesmas
recomendações de prescrição
e monitoramento. Esta orientação baseia-se
no fato de que grande parte dos casos de gripe não
estão sendo confirmados laboratorialmente.
ANTIBIOTICOTERAPIA
Nos casos com suspeita de infecção bacteriana
concomitante ou secundária ao quadro gripal,
devese considerar o pneumococo o como agente etiológico
mais provável. Sugere-se o uso de penicilinas
e seus derivados (podendo estar associados a inibidores
de betalactamase). Nos casos graves ou quando não
houver resposta terapêutica adequada, considerar
outras etiologias, como estafilococos ou bactérias
gram negativas e expandir o espectro da antibioticoterapia
(cefalosporina de 2ª ou 3ª geração
associadas ou não a oxacilina ou clindamicina).
ACHADOS LABORATORIAIS E RADIOLÓGICOS
· Alterações laboratoriais: leucocitose,
leucopenia, linfopenia, neutrofilia; aumento de CPK
e LDH. Radiografia de tórax: infiltrado intersticial
localizado ou difuso ou presença de área
de condensação (lembrar que é possível
haver piora radiológica de progressão
rápida). Outro achado relatado é dissociação
clínico-radiológica (pacientes que se
apresentam clinicamente estáveis, com alterações
radiológicas importantes).
COLETA DE EXAMES PARA CONFIRMAÇÃO
DA INFLUENZA A(H1N1)
Atualmente a coleta de exame laboratorial para diagnóstico
específico da nova variante influenza A(H1N1)
segundo orientação da vigilância
epidemiológica somente está indicado,
para:
• Doença respiratória aguda grave;
• Gestantes internadas;
• Óbitos por doença respiratória
sem causa definida
• Surtos de síndrome gripal em comunidades
fechadas.
Destacamos que as condutas clínicas tanto dos
pacientes ambulatoriais quanto dos pacientes com doença
respiratória aguda grave não dependem
do resultado de exame laboratorial específico
para influenza A(H1N1)v.
ORIENTAÇÕES GERAIS:
• O responsável pela triagem dos pacientes
deve utilizar máscara;
• Indicar o uso de máscara cirúrgica
para o caso suspeito e seus contatos na chegada do paciente
ao serviço, enquanto aguarda avaliação
médica;
• Priorizar atendimento;
• Monitorar temperatura (se necessário);
• Uso individual de utensílios (talheres,
copos) e objetos pessoais;
• Higienização freqüente das
mãos;
• Orientar forma correta de tossir ou espirrar
(como evitar mãos, preferir lenços de
papel, cotovelo ou dentro da roupa);
• Evitar tocar os olhos e nariz após contato
com superfícies;
• Manter ambientes ventilados;
• Limpar superfícies (inclusive dos consultórios),
como mesa e brinquedos, sempre que possível,
utilizando água e sabão ou álcool
70%;
• Fazer contato diário com o paciente nos
primeiros 5 dias ou até resolução
do quadro;
• Realizar reavaliação clínica
do paciente, se necessário, e encaminhá-lo
ao hospital em caso de piora clínica.
• Orientar para evitar locais com aglomerações
de pessoas (shopping, cinema, shows, igrejas, etc.)
• Permanecer no domicílio durante o período
de transmissibilidade (crianças menores de 12
anos: 14 dias após o início dos sintomas.
Caso haja possibilidade de reavaliação
clínica, podese considerar a transmissibilidade,
segundo critério do CDC, até o 7º
dia do início dos sintomas, desde que a criança
já esteja assintomática há pelo
menos 24 horas. Caso ainda apresente sintomas após
7 dias, o afastamento deve permanecer até que
se completem 24 horas da resolução destes.
Importante destacar que a persistência de tosse
secundária ou a hiperreatividade brônquica
não devem ser considerados como caso clínico
não solucionado e nem significar persistência
de contagiosidade).
USO DE EPI PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
A consulta de todo caso suspeito deverá ser realizada
preferencialmente em sala reservada e o profissional
de saúde deverá estar adequadamente paramentado
com: avental, luvas, mascara cirúrgica e óculos
de proteção (se houver possibilidade de
respingos). Higienizar as mãos antes e após
cada atendimento.
ORIENTAÇÃO DE VACINAS
Em relação às vacinas disponíveis
em clínicas particulares e no sistema público
conforme calendário do Ministério da Saúde
para determinados grupos de risco, esclarecemos:
• Não há nenhuma evidencia de proteção
conferida pela vacina contra influenza sazonal para
a nova variante da atual gripe pandêmica.
• As vacinas contra pneumococos atualmente disponíveis
(conjugada 7valente e polissacarídica 23 valente)
permanecem com suas indicações habituais
conforme os calendários vacinais vigentes.
• As demais vacinas do calendário vacinal
do programa nacional de imunização devem
ser mantidas.
AMAMENTAÇÃO E ORIENTAÇÕES
QUANTO AOS CUIDADOS COM OS RECÉM – NASCIDOS
Se a Mãe for caso suspeito ou confirmado de Gripe:
• Após o nascimento a mãe deverá
usar máscara cirúrgica e realizar higiene
das mãos antes de interagir com o bebê;
• Todas as pessoas que ficarem a uma distância
menor de 1m da mãe devem usar mascara cirúrgica
e realizar adequada higiene das mãos antes de
depois de entrar em contato com a mãe.
• Alojamento Conjunto: recém-nascidos de
mães infectadas com gripe podem ficar no mesmo
quarto que a mãe, se possível, e devem
ser colocados em uma incubadora quando disponível.
Caso a incubadora não esteja disponível,
o berço deve ser colocado a pelo menos 1 metro
da mãe quando ela não estiver interagindo
com o bebê e devem ser reforçadas as medidas
de higienização das mãos
e uso de máscara pela mãe.
• Berçários: se um recém-nascido
de uma mulher infectada com gripe está alojado
no berçário do hospital ou unidade neonatal,
ao invés do quarto da mãe, a criança
deve ser colocada em isolamento com precauções
respiratórias e de contato, o que significa que
o bebê deve ser colocado em uma incubadora em
uma sala privada no berçário, quando disponível.
Se uma sala privada não está disponível
no berçário, o recém-nascido deve
ser mantido em incubadora a uma distância de 1
metro dos outros bebês. Essas medidas devem ser
mantidas por um período de 14 dias.
• As visitas devem ser restringidas ao máximo.
Os visitantes das mães infectada com gripe e
de seus bebês devem ser orientados sobre o uso
de máscaras e medidas de precaução
e higiene das mãos e deve ser solicitada a prática
destas medidas durante toda a visita hospitalar.
Durante a amamentação:
• Mães infectadas com influenza e que estão
amamentando devem colocar máscara cirúrgica
e, em seguida, realizar a higiene das mãos antes
e depois de cada mamada ou outros contatos íntimos
com os seus bebês. Estas condutas devem continuar
em cada mamada durante o período de 7 dias após
o início dos sintomas da mãe.
• O uso do antiviral não contra indica
a amamentação.
· Não há dados na literatura que
justifiquem o uso profilático do antiviral para
recém-nascidos de mães suspeitas ou confirmadas
com quadro de gripe.
Ressaltamos que estas informações podem
ser alteradas a qualquer momento; assim é prudente
estar atento aos próximos informativos da Secretaria
Municipal de Saúde, Secretaria de Estado da Saúde
do Paraná e do Ministério da Saúde.
Esperamos contar com a colaboração de
todos neste momento crítico da saúde do
nosso país e nos colocamos á disposição
para eventuais esclarecimentos.
Departamento de Infectologia e Saúde Escolar
/ Sociedade Paranaense de Pediatria
Departamento
de Infectologia Pediátrica / Sociedade Paranaense
de Pediatria
sppsppp@terra.com.br
- www.spp.org.br
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