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Mudança
de perfil do empiema pleural em crianças:
epidemiologia e conduta
The changing face of pleural empyemas in children:
epidemiology and management
Schultz KD, Fan LL, Pinski J et al. –
Estados Unidos
Pediatrics 2004; 113: 1735-40.
Pneumonia
ocorre em 1 a 4,5 para cada 100 crianças
por ano. Predominam as causas virais, mas em
20 a 30% dos casos a causa é bacteriana.
Derrame pleural ocorre em 40% das pneumonias
bacterianas e em 60% desses casos há
formação de empiema, que é
definido como um derrame pleural septado ou
loculado, ou presença de pus no material
aspirado. Vários países vinham
observando aumento da incidência anual
de empiema nas enfermarias de pediatria nos
últimos 15 anos. O objetivo desta pesquisa
foi avaliar as mudanças em seu perfil
epidemiológico e o aparecimento de organismos
resistentes após a introdução
da vacina pneumocócica conjugada (VPC).
Foram
avaliados retrospectivamente 230 casos de empiema
em crianças internadas em um hospital
pediátrico em Houston (Texas) desde 1993
até 2002. A média de idade foi
4 anos, variando de 3 semanas a 16 anos. A bactéria
causadora foi identificada em 69 casos por cultura
de líquido pleural e em 29 casos por
hemocultura. O número de casos de empiema
para cada 10.000 hospitalizações
aumentou progressivamente de 5,8 no ano 1993
até 23 no ano 2000. Naquele momento grande
parte das crianças estava coberta pela
VPC no Texas e nos dois anos seguintes a taxa
caiu para 12,6 casos para cada 10.000 hospitalizações
(ano 2002). Dos organismos isolados predominava
o pneumococo, com aumento progressivo até
o ano 2000, e súbita queda nos dois anos
seguintes, quando passou a predominar S. aureus
e S. aureus tipo MRSA. O tempo de internamento
girou em torno de 7 a 21 dias, com aproximadamente
9 dias de febre.
O
tratamento foi só com antibióticos
em 4 casos, toracocentese em 19, com ou sem
dreno, e algum tipo de cirurgia em 189 casos:
cirurgia toráxica vídeo-assistida
(VAT) (n=125); mini-toracotomia (n=31); toracotomia
aberta (n=32); lobectomia (n=8). As complicações
mais comuns foram abscesso pulmonar, pneumatocele,
insuficiência respiratória, transfusão
de sangue, fístula bronco-pleural e lobectomia.
COMENTÁRIOS:
Eeste artigo é de leitura muito agradável
para quem não gosta muito de estatística
complexa, e ao mesmo tempo aprecia conhecer
certa enfermidade em relação ao
perfil epidemiológico, etiologia, gravidade,
diagnóstico, métodos terapêuticos
novos e complicações. É
um belo estudo descritivo. Se você que
trabalha em enfermaria de pediatria vinha tendo
a sensação nos últimos
15 anos de que aumentava a incidência
anual de casos de derrame pleural e empiema,
agora ficou claro que o mesmo ocorreu em muitos
países desenvolvidos. Não se sabe
a razão, mas os autores arriscam que
pode ser pelo aumento de tratamento ambulatorial
inadequado. Discorrem bastante sobre as vantagens
da mudança de conduta há 10 anos.
Até então, nos casos de empiema,
se fazia a drenagem pleural e reservava-se a
cirurgia apenas para os casos que complicavam.
Então a prioridade passou a ser a intervenção
cirúrgica precoce, a qual é viável,
segura, melhora o prognóstico e reduz
o custo hospitalar. Apesar de pouco tempo de
histórico (observação só
até o ano 2002), a grande perspectiva
que nos deixou este trabalho é a de que
a vacinação universal com VPC
pode resultar inclusive em redução
da incidência anual dos derrames pleurais
e empiemas em crianças.
Resumo
e comentários: Aristides Schier da Cruz
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