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Senado
faz audiência pública dia 15 de março
Com
mais de 200 mil assinaturas de apoio, a Sociedade Brasileira
de Pediatria (SBP), a OAB e a Frente Parlamentar de
Defesa da Criança e do Adolescente estão
em campanha para que os cuidados com as crianças
e com a maternidade tenham o suporte social que merecem.
Na quarta-feira, dia 15 de março, às 10hs,
o Senado Federal faz a primeira audiência pública
para apreciar o projeto de lei 281/2005 da senadora
Patrícia Saboya (PSB-CE) – apresentado
com base em texto redigido pelo presidente da SBP, dr.
Dioclécio Campos Jr. Como trata-se de matéria
terminativa, o PL será votado apenas na Comissão
de Direitos Humanos e Legislação Participativa,
seguindo depois para a Câmara.
Pela proposta,
os quatro meses estabelecidos pela Constituição
brasileira serão acrescidos de mais sessenta
dias, em troca de incentivos fiscais. De acordo com
o PL, fica instituído o Programa Empresa Cidadã,
que permite à trabalhadora receber seu salário
integralmente, assim como estabelece que a empresa pode
deduzir 100% desse gasto extra do Imposto de Renda.
A adesão de ambas – empresa e funcionária
– é “voluntária” e a
argumentação do projeto é explícita
sobre “a lógica do convencimento e não
a da imposição”, assinala o dr.
Dioclécio.
Enquanto isso,
a campanha já comemora o fato de que começa
nos municípios um movimento para levar o benefício
também às funcionárias públicas.
Desde dezembro – aprovado pela Câmara e
sancionado pelo prefeito – o aumento da licença
é realidade em Beberibe, no interior do Ceará,
onde a previsão que é esse ano 17 funcionárias
e suas crianças sejam beneficiadas. A primeira,
a socióloga Soraia Colaço, aos nove meses
de gravidez, aguarda o nascimento de Júlia para
os próximos dias. “Tive que me afastar
da minha primeira filha com quatro meses e me senti
muito mal”, diz, consciente da importância
do contato entre mãe e filha para a saúde
da criança.
O texto
do PL que tramita no Congresso e a lei já vigente
em Beberibe se referem ao “êxito do crescimento
e do desenvolvimento da criança” e sua
relação com a “criação
do vínculo afetivo adequado com a mãe,
o pai e demais membros do grupo social da família
que a acolhe”, lembra a importância do aleitamento
materno exclusivo durante os seis primeiros meses, mas
deixa claro que a extensão, assim como a própria
licença estabelecida constitucionalmente, deve
ser dada a todas as mulheres que desejarem, mesmo as
que por algum motivo não estiverem amamentando,
de maneira a propiciar “os demais estímulos
essenciais” nessa fase da vida do bebê.
A adesão dos municípios
Em
Vitória (ES), a iniciativa foi do vereador José
Carlos Lyrio Rocha (PSDB), que apresentou o projeto
na Câmara Municipal e mereceu elogios da presidente
da Sociedade Espiritossantense de Pediatria, dra. Ana
Maria Ramos: “Acho a atitude ótima. Sem
dúvida, um resultado da campanha em nível
nacional e também do nosso movimento estado”.
Para o vereador, a idéia de conceder mais dois
meses de licença-maternidade às funcionárias
é consistente e simples de ser posta em prática:
“Acabei de ser avô, minha neta está
com seis meses e senti na pele, dentro da família,
a dor da separação prematura entre minha
filha e Carolina. Pela minha formação
de economista, posso afirmar que o impacto não
é tão forte. Atualmente, as famílias
não são mais tão numerosas. Se
a lei for colocada em prática, devemos pensar
que num período de cerca de 30 anos, que é
o tempo médio de trabalho da mulher, uma ausência
de dois, quatro ou seis meses é muito pequena,
embora extremamente relevante na vida pessoal”,
enfatiza.
Em São Paulo, Carlos Alexandre Ramos (PT), vereador
de Jaú, informa que apresentará o projeto
de lei ainda neste semestre. “Estamos pensando
em uma opção, pois o município
não tem previdência própria. Mas
já coloquei o assunto em discussão na
cidade. Vi pelos estudos científicos da SBP o
quanto é importante o leite materno e a relação
afetiva da mãe com o filho para a saúde
na idade adulta”, assinala o também professor
de filosofia. Em Minas Gerais, o vereador de Teófilo
Otoni Rômulo Barreiros (PSB) apresentou dois projetos,
tendo como base o idealizado pela Sociedade. Um é
direcionado às servidoras públicas municipais
e o outro às trabalhadoras das empresas privadas.
Dados
De
acordo com estudos do gabinete da senadora Patrícia
Saboya, se todas as empresas do País aderissem
ao projeto, isso acarretaria um custo de 500 milhões
de reais em renúncia fiscal (não se trata
da Previdência, mas do Imposto de Renda). O investimento
“é pequeno, não apenas do ponto
de vista de sua importância social, mas também
se lembrarmos que o SUS gasta, apenas com internação
por pneumonia no primeiro ano de vida, cerca de 300
milhões de reais e, evidentemente, este valor
deverá ser muito reduzido se houver a prorrogação
da licença e o conseqüente aumento da amamentação
que, como sabemos, previne também a diarréia,
só para citarmos doenças ainda de grande
impacto na mortalidade das crianças”, finaliza
dr. Dioclécio.
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