MORTALIDADE INFANTIL NO PARANÁ NO ANO 2003: COMPARAÇÃO COM O TRIÊNIO 2000-2002
O Comitê Estadual de Prevenção de Mortalidade Infantil (CEPMI) vem, por meio deste boletim informativo, divulgar os dados da mortalidade infantil no Paraná no ano 2003 e no triênio 2000-2002. Os dados apontam para uma queda constante e sustentada da Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) no estado. A tabela 1 demonstra a tendência de queda da TMI no estado desde o ano de 2000.
TABELA 1. Número de nascidos
vivos, número de óbitos abaixo de 1 ano de idade e Taxa de Mortalidade Infantil
(TMI) no estado do Paraná nos
|
|
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
|
número de nascidos vivos |
179.160 |
166.990 |
164.811 |
156.997 |
|
número de óbitos < 1 ano |
3.475 |
2.907 |
2.744 |
2.586 |
|
TMI |
19,40/1.000 |
17,41/1.000 |
16,65/1.000 |
16,47/1.000 |
O número de nascidos vivos diminui ano a ano em nosso estado (no ano 2003 nasceram 13,4% menos bebês do que no ano 2000). Mas o número de óbitos de bebês abaixo de 1 ano de idade diminui proporcionalmente ainda mais (no ano 2003 ocorreram 25,6% menos óbitos infantis do que no ano 2000). Portanto, a TMI está em queda ano após ano.
A figura 1 apresenta a curva da TMI desde 1991 no estado do Paraná. A mortalidade infantil tardia (óbitos entre 28 dias e 1 ano de vida) sofreu queda proporcionalmente maior neste período, caindo de quase 13,8/1000 em 1991 para próximo de 5,5/1000 nos últimos 2 anos. Este fato ilustra bem o fenômeno já conhecido de que os óbitos infantis que ocorrem no período pós-neonatal são os de evitabilidade mais fácil. As medidas de atenção primária à saúde, quanto mais eficientes, conseguem reduzir este componente da TMI. Está claro que os fatores que interferem positivamente na saúde materno-infantil foram muito efetivos neste período. Destacam-se entre estes fatores as ações das equipes de pediatria e de saúde pública no Paraná, bem como o padrão sócio-educacional da população.
A mortalidade
infantil neonatal (óbitos até 28 dias de vida) também diminuiu neste período,
caindo de 17,3/1000 em 1991 para acima de 11,0/1000 em
A TMI média no triênio 2000-2002 foi 17,89/1.000 e no ano 2003 foi 16,47/1.000. A tabela 2 demonstra a TMI média no triênio 2000-2002, intervalo de confiança de 95% (IC 95%) corrigido desta TMI média (número de nascidos vivos e óbitos infantis no triênio divididos por 3) e TMI do ano 2003, referentes às 22 Regionais de Saúde, aos 22 maiores municípios dessas regionais e ao estado do Paraná como um todo.
TABELA 2 – TMI média no triênio 2000-2002, intervalo de confiança de 95% (IC 95%) corrigido desta TMI média, tendo os números de nascidos vivos e óbitos infantis divididos por 3, e TMI do ano 2003, referentes às 22 Regionais de Saúde, aos 22 maiores municípios dessas regionais e ao estado do Paraná
Regional ou Município |
TMI médio no triênio 2000-2002 |
IC 95% do triênio corrigido |
TMI em 2003 |
|
1a RS: Paranaguá |
23,59 |
|
19,15 c S |
|
Mun:
Paranaguá |
24,26 |
|
20,01
c ns |
|
2ª RS: Metropolitana |
16,99 |
|
15,46*c
S |
|
Mun:
Curitiba |
13,42 |
|
12,32
c ns |
|
3ª RS: Ponta Grossa |
21,05 |
|
18,13
c S |
|
Mun: Ponta Grossa |
19,47 |
|
15,69
c ns |
|
4a RS: Irati |
22,84 |
|
19,38
c ns |
|
Mun: Irati |
22,57 |
|
16,25*c
ns |
|
5a RS: Guarapuava |
26,05 |
|
22,33
c S |
|
Mun: Guarapuava |
27,57 |
|
20,48
c S |
|
6a RS: União da Vitória |
19,57 |
|
16,01
c ns |
|
Mun: União da Vitória |
19,12 |
|
20,59 s ns |
|
7a RS: Pato Branco |
19,70 |
|
24,41 s*S |
|
Mun: Pato Branco |
13,48 |
|
23,66
s*S |
|
8a RS: Francisco Beltrão |
15,88 |
|
17,86
s ns |
|
Mun: Francisco Beltrão |
14,58 |
|
20,0
s*ns |
|
9a RS: Foz do Iguaçu |
17,15 |
|
15,42
c ns |
|
Mun: Foz do Iguaçu |
17,57 |
|
16,0
c ns |
|
10a RS: Cascavel |
15,71 |
|
17,27 s ns |
|
Mun: Cascavel |
12,91 |
|
16,20
s*S |
|
11a RS: Campo Mourão |
18,37 |
|
15,46
c ns |
|
Mun: Campo Mourão |
18,35 |
|
15,03
c ns |
|
12ª RS: Umuarama |
19,11 |
|
21,73 s ns |
|
Mun: Umuarama |
17,66 |
|
15,36
c ns |
|
13a RS: Cianorte |
15,54 |
|
11,59
c ns |
|
Mun:
Cianorte |
15,81 |
|
11,75
c ns |
|
14a RS: Paranavaí |
16,66 |
|
11,18*c
S |
|
Mun: Paranavai |
15,63 |
|
7,85*c
S |
|
15ª RS: Maringa |
13,58 |
|
11,01*c
S |
|
Mun: Maringá |
12,72 |
|
8,87*c
S |
|
16a RS: Apucarana |
17,78 |
|
17,39
c ns |
|
Mun:
Apucarana |
15,39 |
|
21,60
s*S |
|
17ª RS: Londrina |
13,09 |
|
12,88
c ns |
|
Mun: Londrina |
12,28 |
|
12,09
c ns |
|
18a RS: Cornélio Procópio |
18,50 |
|
17,27
c ns |
|
Mun:
Cornélio Procópio |
12,31 |
|
12,84 s ns |
|
19a RS: Jacarezinho |
19,23 |
|
19,97 s ns |
|
Mun: Jacarezinho |
17,11 |
|
17,92 s ns |
|
20a RS: Toledo |
15,91 |
|
15,39
c ns |
|
Mun:
Toledo |
12,55 |
|
14,43
s ns |
|
21a RS: Telêmaco Borba |
23,33 |
|
18,66
c ns |
|
Mun: Telêmaco Borba |
20,99 |
|
16,76
c ns |
|
22ª RS: Ivaiporã |
15,87 |
|
18,67
s ns |
|
Mun: Ivaiporã |
22,01 |
|
20,55
c ns |
|
TOTAL – PARANÁ |
17,86 |
|
16,47*c S |
c – TMI caiu em 2003 em
relação à média do triênio – 31 locais geográficos
s – TMI subiu em 2003 em
relação à média do triênio – 14 locais geográficos
ns – queda ou elevação não
significativa – 31 locais geográficos
S – queda ou elevação
significativa - 14 locais geográficos (10 para menos e 4 para mais)
Interpretação
do IC 95% da média do triênio: a TMI varia muito de um ano para outro em uma
mesma região geográfica. Esta variação em geral é puramente casual. O IC 95%
nesta tabela nos dá a faixa de variabilidade aceitável como provavelmente
casual em torno da média do triênio. Se no ano 2003 é obtido um valor fora
desta faixa, para cima ou para baixo, isto significa uma variação significativa
em relação à média do triênio, com chance menor do que 5% de ocorrer por acaso. Uma queda significativa,
abaixo do limite inferior do IC 95%, é um sinalizador de grandes possibilidades
de ter ocorrido melhora verdadeira nas condições de saúde. Por outro lado, uma
elevação significativa, acima do limite superior do IC 95%, é um sinalizador de
grandes possibilidades de ter ocorrido piora verdadeira nas condições de saúde.
Mesmo assim é importante lembrar que estas significativas variações de um ano
para outro sempre têm possibilidade de ser ao acaso. Pré-julgamentos baseados
nos dados de apenas um ano, sejam otimistas ou pessimistas, devem ser feitos
com cuidado. O ideal é aguardar mais um ou dois anos para ver se a tendência de
queda ou elevação da TMI se confirma.
Muitos fatos importantes podem ser
analisados nesta tabela 2, entre os quais se destacam os seguintes:
II. INVESTIGAÇÃO DOS ÓBITOS
INFANTIS NO PARANÁ:
O Paraná possui o Comitê Estadual de Prevenção de Mortalidade Infantil (CEPMI), em atividade desde novembro de 1997. É composto por representantes de diversos setores da sociedade: organizações não governamentais, sociedades científicas, conselhos profissionais, instituições de ensino superior e Secretaria de Estado da Saúde. Entre titulares e suplentes, totalizam atualmente 36 membros, provenientes de vários municípios do estado.
O CEPMI empenha-se no cumprimento de dois objetivos principais:
O CEPMI trabalha em articulação com uma grande rede de Comitês Regionais e Municipais de Prevenção da Mortalidade Infantil, os quais são compostos por profissionais de diversas especialidades: medicina, enfermagem, estatística, serviço social, nutricionistas, psicólogos, entre outros, todos em seus municípios, empenhados em melhorar a busca das verdadeiras causas dos óbitos infantis e das melhores estratégias para preveni-las.
Desde o ano 2000 os Comitês fazem a investigação dos óbitos infantis. Utilizam como metodologia a busca ativa, por meio de levantamento de prontuários hospitalares e ambulatoriais, visita domiciliar, Declaração de Óbito (DO), laudo do Instituto Médico Legal (IML), Declaração de Nascidos Vivos (DNV), informações de agentes comunitários de saúde (ACS), entre outros. Assim, para cada óbito é definida a causa básica, a evitabilidade, a responsabilidade e as medidas de prevenção propostas. Esta é a dinâmica do Sistema de Ivestigação da Mortalidade Infantil (SIMI) no Paraná.
A cada ano o SIMI
tem conseguido investigar uma maior proporção de óbitos infantis: 50% dos
óbitos no ano 2000, 55% em 2001, 63% em 2002 e 74% em 2003. É o único estado do
Brasil que possui CEPMI organizado, distribuído por todo o território, e que
efetivamente investiga os óbitos infantis e faz reflexões a seu respeito. O
Ministério da Saúde, impressionado com este nível de organização conseguido no
Paraná, está investindo na organização de CEPMI nos demais estados do país, com
sistemática embasada na experiência paranaense.
O CEPMI agradece o
empenho de todos os profissionais do estado, médicos e não médicos, que
participam dos Comitês Regionais e Municipais, bem como dos membros da
vigilância epidemiológica das Regionais de Saúde, além do apoio de assessoria
da Secretaria de Estado da Saúde. Este trabalho conjunto, único no país, nada
mais é do que a sociedade paranaense organizada, avaliando seus problemas de
saúde e buscando soluções. Os Comitês estão abertos às pessoas da sociedade que
queiram contribuir com seus conhecimentos e participar deste trabalho de
utilidade pública.
aristides.schier@terra.com.br
Presidente do Comitê Estadual de Prevenção de Mortalidade Infantil